a vida do solo

Ana percebia a dificuldade das pessoas em compreenderem como se dava a dinâmica da vida no solo, então escreveu uma história sobre sua microvida que foi transformada em desenho animado de longa-metragem. É uma apresentação bem-humorada dos fenômenos biológicos, físicos e químicos que ocorrem dentro do solo. O filme ilustra a inter-relação entre os seres microscópicos, íons e fatores abióticos, seus papeis vitais para manter as culturas sadias e as interdependências em relação às práticas agrícolas. O primeiro filme mostra a deterioração do solo provocado pelo emprego errado daquelas práticas. O segundo, não realizado devido à falta de recursos da Universidade, explicaria como recuperar um solo.

Naquela época, não havia computador, e para criar a animação, tudo era desenhado passo a passo, movimento por movimento. Cada ser vivo presente e atuante na dinâmica da vida do solo foi representado: bactérias, actinomicetos, fungos, insetos, aracnídeos. Desde uma folha caindo no chão e perdendo a cor, passando pelo processo dos seres vivos promovendo a decomposição vegetal, até chegar aos produtos resultantes, o filme mostra os personagens “trabalhando” no solo, integrados em suas funções específicas, como numa orquestra. Dentre tantas informações interessantes, está a revelação de que cada passo da centopeia infecciona o solo com bactérias, e que as minhocas só prosperam em ambiente onde há cálcio. Onde há minhoca, nunca há proliferação de fungos.

Registrado em Genebra, era o primeiro filme animado sobre a vida do solo que existia no mundo. Para quem teve o privilégio de assisti-lo, a complexidade que envolve essa microvida comprova o que Ana sempre defendeu: o solo é a base de tudo. O solo vivo é tão transbordante de vida que acaba por nos mostrar como somos (ou fomos) míopes em enxergá-lo como mero substrato para as plantas crescerem.

personagens

roteiro