A produtividade de pastagens nativas

            O gado necessita de muitos minerais, muitos aminoácidos e muitas enzimas diferentes. Toda essa diversificação só se consegue com plantas de muitas espécies diferentes porque a riqueza ou pobreza em minerais e aminoácidos é característica da espécie vegetal. O gado necessita de forragem abundante, nova, rica em proteínas e diversificada.

            Assim, por exemplo, grama-forquilha (Paspalum notatum) é pobre em cálcio, tanchagem (Plantago sp) é rica em boro, azevém é rico em manganês e pobre em cobre, enquanto o pangola é rico neste mineral. Aveia é rica em manganês, Calamagrostis armata e as festucas são pobres em potássio e cálcio, o capim-de-rodes é rico em zinco. As leguminosas são ricas em cálcio, fósforo e potássio; cornichão é especialmente rico em magnésio, etc. O mesmo acontece com os aminoácidos, enzimas, hormônios e vitaminas que são específicos da espécie vegetal. Se os animais devem ser bem nutridos e manter sua saúde, devem receber pastagem da mais diversificada possível.        Também os animais não são máquinas que produzem sem parar. Sentem fome, frio e precisam de conforto. Tratá-los com respeito e carinho deve fazer parte da prática agropecuária.

            Ao lado das deficiências de substâncias vegetais, provocadas pela falta de minerais no solo, existem também as deficiências diretas de minerais que parcialmente podem ser supridas pela administração de sais minerais adicionados à ração ou dados nos cochos de sal, embora a absorção de muitos destes pelo intestino, como o zinco e o magnésio, seja muito deficiente.

            A pergunta é: quando é que surge a deficiência? Quando o solo é deficiente? Quando o animal sofre as consequências da falta de um ou de outro mineral?

            Em solos arenosos e úmidos, as deficiências geralmente são reais. Nessas condições, via de regra, a pobreza existe de fato e não há outra alternativa senão adubar com o elemento carente quando de 3 a 5% do rebanho mostram os sinais da falta de um mineral, porque os outros, apesar de não mostrarem ainda sintomas, também já estão prejudicados pela deficiência em causa.

            Em solos argilosos a carência é imposta pelo mau arejamento do solo e pelo deficiente desenvolvimento das raízes. As pastagens permanentes que conseguem formar raízes abundantes somente até 3 cm de profundidade exploram quase que exclusivamente a camada superficial, isto é, a camada mais levada e judiada do solo e, em consequência, as plantas são deficientes, por falta de manejo adequado de pastejo.

            Acontece que a deficiência surge, também, devido a um desequilíbrio e relação a outros minerais. Assim, por exemplo, a relação de cálcio: fósforo deve ser de 2:1 ou no mínimo 3:1 na planta. Se é maior, o animal sente a deficiência. A relação de cálcio: potássio deve ser de, no mínimo, 6:1 no solo, para que a planta possa absorver e utilizar o potássio. Assim sendo, um nível baixo de cálcio pode provocar a deficiência de potássio.

            Assim, a eliminação da deficiência nem sempre pode ser feita pelas simples adubação das pastagens, baseada nestes sintomas, mas somente após exames químicos e biofísicos do solo e da vegetação, os quais determinam a causa da falta de um ou de outro mineral no metabolismo das forrageiras e finalmente no metabolismo do animal.